Tratamentos e Técnicas de PMA

Os tratamentos e técnicas de procriação medicamente assistida (PMA) são utilizados quando os casais heterossexuais ou de mulheres, bem como as mulheres em projetos monoparentais precisam de ajuda médica para conseguirem alcançar uma gravidez. Seja nos centros de PMA do Serviço Nacional de Saúde ou nas clínicas privadas de fertilidade, estes procedimentos podem levar a que estes casais e mulheres consigam ter um filho, seja com os seus próprios óvulos e/ou espermatozoides e embriões ou com o recurso à doação destes.
Inseminação Intrauterina ou Inseminação Artificial (IIU)

Aconselhada em casos de perturbações psicológicas na mulher (vaginismo), muco cervical incompetente, disfunção ovulatória ligeira, mas em que as trompas e o endométrio estão normais e o sémen tem qualidade.

Indica quando o homem apresenta problemas de ejaculação, por questões físicas ou psicológicas, o esperma revela alterações significativas ou há azoospermia, situação em que o testículo não produz espermatozoides nem células precursoras (espermatídios). Aqui, a IIU pode ser efetuada com recurso a doação de espermatozoides.

A mulher é submetida a uma indução ligeira do crescimento folicular com hormonas por via oral ou por administração subcutânea da hormona folículo-estimulante (FSH) em baixas doses. O crescimento folicular é monitorizado por análises sanguíneas (estradiol) e ecografias sequenciadas. Geralmente demora 1-2 semanas. Há boa resposta quando 1-3 folículos atingem 17 mm.

Neste processo existe o risco, ainda que muito raro, de síndrome da hiperestimulação do ovário.

Na etapa da indução da maturação ovocitária e da ovulação, os folículos ao atingirem os 17 mm é feita a administração da hormona hCG ou hormona luteinizante (LH), através de injeção única intramuscular.

Do lado masculino faz-se a colheita dos espermatozoides, por masturbação, a que se segue a lavagem e purificação dos espermatozoides fecundantes. Se o homem não conseguir masturbar-se por motivos psicológicos, a companheira pode ajudá-lo. Se falhar, deve ser dado um sedativo suave. Se a situação não se resolver, pode tentar em casa, desde que o transporte seja efetuado em menos de 30 minutos (com o recetáculo contendo o sémen à temperatura de 37ºC: por exemplo, junto ao corpo, envolvido em toalha aquecida). Em alternativa, dá-se um preservativo especial (não tóxico para os espermatozoides) e o casal tem relações sexuais em casa, sendo o preservativo colocado no contentor estéril e transportado para o centro nas mesmas condições acima descritas. Se tudo falhar, cancela-se o ciclo de IIU e passa-se para microinjeção (ICSI), com obtenção dos espermatozoides por punção aspirativa do epidídimo (MESA) ou do testículo (TESA), sob anestesia troncular.

Após a colheita, o sémen é colocado numa estufa a 37ºC, durante 30 minutos, para o liquefazer (simulação da função vaginal). É depois purificado através de gradientes, por centrifugação, durante 30 minutos, para remover micro-organismos, leucócitos, células germinais imaturas e espermatozoides anómalos. Esta etapa corresponde à ação natural do muco cervical. De seguida, os espermatozoides purificados são recobertos por um meio de cultura especial, sendo incubados a 37ºC. Ao fim de uma hora, recolhem-se os espermatozoides que migraram ativamente até à superfície (fração swim-up), que são os com melhor morfologia e mobilidade. Esta etapa corresponde à ação natural do muco uterino e das trompas de Falópio. A fração swim-up é então colocada num cateter muito fino, mole e não-tóxico, num volume de 0,1-0,2 mL, contendo no mínimo 500.000-1 milhão de espermatozoides hiperativados. No caso de sémen de dador, descongela-se a amostra e processa-se com acima descrito.

Após a conclusão desta fase procede-se à inseminação, com a introdução dos espermatozoides purificados na cavidade uterina (acima do colo uterino) com um cateter, até 36h após a indução da ovulação, sob controlo ecográfico.

Durante duas semanas evitar relações sexuais, desportos, o trabalho de pé durante horas seguidas e as viagens prolongadas. Aumentar as horas de repouso diárias, sentada ou deitada. Alimentação equilibrada de 3/3 horas, com 1,5L de água por dia.

Antibiótico profilático, ácido fólico (proteção contra defeitos do sistema nervoso do feto).

O primeiro passo é a deteção de gravidez bioquímica, através do doseamento sanguíneo da hormona βhCG no sangue ao 12-14º dia após IIU (positiva se ≥20 U). Segue-se a deteção de gravidez clínica com a realização de uma ecografia que avalia a presença de placenta, líquido amniótico e embrião pós-implantação com batimentos cardíacos à 5-7ª semana da gravidez.

A taxa de gravidez da IIU é de 14-20%, sendo que a gravidez gemelar deve ser nula. Para isso, só se deve efetuar se houver um máximo de 3 folículos dominantes (antes da hCG), com confirmação desse número após a hCG e imediatamente antes da inseminação.

Fertilização in Vitro (FIV)

Tratamento indicado para casos de disfunção ovulatória moderada a severa, obstrução ou ausência de trompas, falhas de gravidez após ciclos de Inseminação Intrauterina (IIU) ou de infertilidade inexplicada. Pode ser também um recurso em caso de existência de um défice ligeiro da qualidade do sémen.

No início do tratamento, a mulher é submetida a indução da ovulação com a hormona hCG ou LH (injeção única intramuscular) quando os folículos atingem 17 mm. Sob a sua ação, ocorre a maturação genética dos ovócitos e o crescimento final dos folículos até 20-30 mm de diâmetro.

Segue-se a aspiração dos folículos ováricos (dia 0), feita sob controlo de ecografia endovaginal, até 36 horas após a toma da hCG. Este procedimento efetua-se sob ligeira sedação endovenosa por anestesista. É uma técnica indolor que demora cerca de 5 minutos por ovário. A partir de aí, a mulher inicia a aplicação de progesterona (comprimidos vaginais), que prepara o endométrio para a implantação. Na altura da transferência embrionária, o endométrio deve ter uma espessura de 12-14 mm (mínimo de 8 mm) e um aspeto trilamelar na ecografia. Os comprimidos vaginais aplicam-se de 8/8h até à 12ª semana de gravidez. Deve ser interrompida se surgir menstruação ou se o doseamento hormonal da implantação for negativo.

No homem é feita a colheita de esperma e posteriormente preparados os espermatozoides. O processo é idêntico ao da IIU. Se a colheita falhar, em vez de FIV efetua-se microinjeção (ICSI), com obtenção dos espermatozoides por MESA ou TESA.

Após a colheita, o sémen é colocado numa estufa a 37ºC, durante 30 minutos, para o liquefazer (simulação da função vaginal). É depois purificado através de gradientes, por centrifugação, durante 30 minutos, para remover micro-organismos, leucócitos, células germinais imaturas e espermatozoides anómalos. Esta etapa corresponde à ação natural do muco cervical. De seguida, os espermatozoides purificados são recobertos por um meio de cultura especial, sendo incubados a 37ºC. Ao fim de uma hora, recolhem-se os espermatozoides que migraram ativamente até à superfície (fração swim-up), que são os com melhor morfologia e mobilidade. Esta etapa corresponde à ação natural do muco uterino e das trompas de Falópio. A fração swim-up é então colocada num cateter muito fino, mole e não-tóxico, num volume de 0,1-0,2 mL, contendo no mínimo 500.000-1 milhão de espermatozoides hiperativados. No caso de sémen de dador, descongela-se a amostra e processa-se com acima descrito.

Feita a recolha de ovócitos e espermatozoides, procede-se à técnica laboratorial da FIV (dia 0) propriamente dita. Numa placa de cultura, colocam-se os folículos e espermatozoides (fração swim-up) numa concentração de 50.000 por folículo ou por mL. A fecundação e o desenvolvimento embrionário ocorrem in vitro numa incubadora.

As taxas médias de maturidade ovocitária, de fertilização e de desenvolvimento embrionário pré-implantação são dependentes de fatores aleatórios de índole individual (qualidade dos ovócitos e dos espermatozoides) e de espécie (70-80% dos embriões humanos possuem anomalias genéticas) e não das técnicas de reprodução medicamente assistida.

As taxas são as seguintes:
Maturidade ovocitária: 80% dos ovócitos aspirados
Fecundação (12-18 h pós-inseminação ou pós-microinjecção, de dia 1: embrião de 1 célula, estádio de pronúcleos ou zigoto): 70%
Embriões AB ao dia 2 (com 2-4 blastómeros): 60%
Embriões AB ao dia 3 (com 6-12 blastómeros): 50%
Embriões AB ao dia 4 (64 blastómeros: mórula): 40%
Embriões AB ao dia 5 (250 células: blastocisto): 30%
Embriões AB ao dia 6 (blastocisto eclodido): 25%

Quanto à qualidade embrionária são esperados certos desenvolvimentos, dependendo dos dias que decorrem após ter sido iniciado o processo in vitro:
Embriões de dia 2-4
Excelente (grau A): embriões com blastómeros de diâmetro similar e 0% de fragmentos.
Boa (grau B): embriões com <25% de fragmentos.
Insuficiente (grau C): embriões com 25-50% de fragmentos. Só se devem transferir embriões C na ausência de embriões A/B, porque contêm uma maior percentagem (93%) de anomalias genéticas.
Má (grau D): embriões com >50% de fragmentos. Não devem ser transferidos, porque possuem (100%) anomalias genéticas.

Embriões de dia 5-6
Excelente (grau A): massa celular interna atinge pelo menos 2/3 do raio com ausência de células degenerativas; presença de trofoblasto contínuo e fino sem células degenerativas; presença de zona pelúcida fina.
Boa (grau B): massa celular interna 1/3-2/3 do raio com ausência de células degenerativas; presença de trofoblasto contínuo e fino sem células degenerativas; presença de zona pelúcida fina.
Insuficiente (grau C): massa celular interna 1/3-2/3 do raio e/ou presença de algumas células degenerativas; trofoblasto mal diferenciado (descontínuo, ou espesso ou com algumas células degenerativas); zona pelúcida espessa.
Má (grau D): massa celular interna <1/3 do raio; presença de múltiplas células degenerativas; trofoblasto mal diferenciado (descontínuo, ou espesso ou com múltiplas células degenerativas); zona pelúcida espessa.

Dia da transferência dos embriões
Dia 1: opcional;
Dia 2: se há ≤4 zigotos (0,70×4=2,8);
Dia 3: se há pelo menos 5 zigotos (0,60×5=3);
Dia 5: se há pelo menos 6 zigotos (0,3×6=1,8).

Número de embriões a transferir
Embriões de dia 1: 3-4 se <35 anos, 4-5 se ≥35 anos ou se já efetuou 2 ciclos FIV sem gravidez.
Embriões de dia 2: 2-3 se <35 anos, 3-4 se ≥35 anos ou se já efetuou 2 ciclos FIV sem gravidez.
Embriões de dia 3: 2 se <35 anos, 3 se ≥35 anos ou se já efetuou 2 ciclos FIV sem gravidez.
Embriões de dia 5: 1 se <35 anos, 2 se ≥35 anos ou se já efectuou 2 ciclos FIV sem gravidez.

Taxas de gravidez
Mulher com menos de 39 anos:
6% (embriões de dia 1: ovócitos fecundados, embrião de 1 célula ou zigoto)
19% (embriões de dia 2, com 4 células)
27% (embriões de dia 3, com 8-12 células)
35% (embriões de dia 4, com 64 células ou mórula)
42% (embriões de dia 5, com 250 células ou blastocisto)

Mulher com ou mais de 39: 10-15% menos
Taxas de gravidez gemelar: 20-25%. Pode ser nula se só se efetuar transferência de 1 blastocisto ou de 1-2 embriões (de dia 2 ou de dia 3).

Os embriões são transferidos para a cavidade uterina (transferência intrauterina) num cateter, sob controlo ecográfico. É um processo indolor que demora cerca de 5 minutos. Os embriões são libertados 1 cm abaixo do fundo uterino, à saída das trompas. Após a transferência, o cateter é avaliado no laboratório para confirmar que os embriões foram corretamente depositados na cavidade uterina. Nos casos em que não se consegue introduzir o cateter no colo uterino e nos casos em que os embriões não implantam por anomalia molecular dos recetores do endométrio, pode efetuar-se a introdução dos embriões diretamente no endométrio (transferência trans-endometrial). Neste caso, a taxa de gravidez é menor devido à reação inflamatória da picada. Trata-se de um procedimento indolor e sem complicações, efetuando-se sob controlo ecográfico.

No tratamento, a transferência de embriões é o passo mais crítico em relação às taxas de gravidez, logo a seguir à qualidade e ao número dos embriões transferidos. A transferência de embriões não corresponde à implantação. A implantação embrionária é um processo natural que ocorre ao 8º dia do desenvolvimento embrionário pré-implantação. Ou seja, se a mulher efetuar a transferência embrionária ao 3º dia, os embriões permanecem na cavidade uterina a desenvolverem-se até ao 8º dia, altura em que, eventualmente, adquirem a capacidade de penetrarem para dentro do endométrio.

Logo após a transferência, e na maioria dos casos, a mulher deve permanecer 30 minutos deitada. Após esse tempo, não necessita de permanecer na posição horizontal, nem de ficar em casa em repouso. Apesar de estarem na cavidade uterina, os embriões não caiem para o exterior porque a cavidade uterina é virtual, ou seja, as paredes tocam-se e não deixam sair os embriões.

Nos casos em que haja uma dificuldade em conceber, os cuidados são geralmente aumentados, ficando a mulher 15-60 minutos em repouso após a transferência dos embriões, e aconselhando-se repouso em casa durante uma semana. Deve aumentar as horas de repouso diárias, sentada ou deitada, ter uma alimentação equilibrada de 3/3 horas, com 1,5L água/dia, abster-se de viagens prolongadas, da prática de desportos basculantes (hipismo, motociclismo, ciclismo, saltos), ter relações sexuais e de tempo de trabalho de pé prolongado.

Após a transferência dos embriões, toma de antibiótico profilático, ácido fólico (proteção contra defeitos do sistema nervoso do feto), ácido acetilsalicílico ou corticoide em baixas doses.

fertilização in vitro
Injeção Intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI)

Tratamento recomendado após uma FIV sem fecundação, duas ou mais FIV sem gravidez, baixo número de ovócitos (4 ou menos), imaturidade ovocitária. Em casos de mulher com 35 anos ou mais e processo de Diagnóstico Genético Pré-Implantação (DGPI).

No caso da mulher ser seropositiva, como não se pode testar a presença de vírus nos ovócitos, só é aceite para ICSI a mulher com carta do serviço de medicina interna a garantir que a paciente, no presente momento, não apresenta carga viral no sangue passível de transmitir a doença ao feto e que se encontra curada sem risco esperado de morte precoce. Mesmo assim, a gravidez é seguida mais de perto com tratamento profilático do recém-nascido. A ICSI é ainda uma opção quando no homem se verifica alteração moderada ou severa do sémen, azoospermia, anejaculação, ejaculação retrógrada ou infeção com o HIV.

À semelhança da FIV, na ICSI procede-se à indução do crescimento folicular, através da hiperestimulação controlada do ovário e depois feita a aspiração dos folículos ováricos (dia 0). No caso de se obterem ovócitos imaturos, estes são amadurecidos in vitro e microinjetados no dia seguinte. O passo seguinte é a aplicação de progesterona (comprimidos vaginais) (dia 0), que prepara o endométrio para a implantação.

A preparação dos espermatozoides (dia 0) é feita da mesma forma que na FIV, mas tendo em conta o problema clínico que o homem apresenta pode ser necessário que a recolha se proceda com recurso a outras técnicas.

Se o paciente apresentar oligozoospermia severa, a amostra restante após a ICSI deve ser criopreservada. Em situação de ejaculação retrógrada, se o homem tem ereção e orgasmo, mas não há saída de sémen, há que saber se o sémen foi ejaculado para trás (para a bexiga) em vez de o ser para o exterior. A ejaculação retrógrada é mais frequente nos homens com antecedentes de cirurgia a um tumor abdominal, com patologia da próstata, ou que foram operados à próstata. Com medicação oral alcaliniza-se a urina, 2-3 dias antes da colheita do sémen. Após urinar, o paciente efetua a masturbação. De seguida volta a urinar. A urina é lavada para se tentar obter os espermatozoides. Apenas se usam espermatozoides recuperados da urina se forem móveis. Em caso de imobilidade, efetua-se MESA/TESE.

Em situações de anejaculação, o sémen pode ser obtido por vibração, eletro-ejaculação, por aspiração do epidídimo (MESA) ou por aspiração testicular (TESA). Efetua-se a ereção e ejaculação assistida com vibrador médico. Se não resultar, deve-se utilizar a técnica da eletro-ejaculação. Neste caso, efetua-se clister de limpeza intestinal e drenagem da bexiga com algália. Monitoriza-se a pressão arterial e dá-se por via oral um anti-hipertensor e por via endovenosa um sedativo e analgésico. De seguida, introduz-se uma sonda fina no canal anal, que dispara alguns ciclos de descargas elétricas (indolor). Se não ocorrer ejaculação, ou se os espermatozoides forem imóveis, usa-se a MESA/TESA/TESE.

Nos homens seropositivos, exige-se carta do serviço de medicina interna a garantir que o paciente no presente momento não apresenta carga viral no sangue passível de transmitir a doença ao feto e que se encontra curado sem risco esperado de morte precoce. Recolha do sémen por masturbação, seguida de lavagem e purificação dos espermatozoides. Os espermatozoides purificados são divididos em duas metades e criopreservados. Uma das metades vai para análise molecular. Se a análise demonstrar a inexistência de material genético vírico, então a outra metade criopreservada (em quarentena) poderá ser usada para o tratamento por ICSI.

No paciente que sofre de azoospermia obstrutiva, os espermatozoides são extraídos por punção do epidídimo (MESA). Se imóveis, efetua-se extração de espermatozoides ou suas células precursoras (espermatídios) por biópsia testicular (TESE). Por sua vez, num caso de azoospermia secretora os espermatozoides ou suas células precursoras (espermatídios) são recolhidos por biópsia testicular (TESE), efetuada com anestesia local troncular por urologista. É um processo indolor que demora cerca de 20 minutos, por testículo. Em caso de hipersensibilidade, o paciente pode requerer anestesia geral (menos de 1% dos casos).

Na biópsia testicular, colhem-se fragmentos de 1-2 mm em pontos diferentes do testículo, parando mal se encontrem espermatozoides ou suas células precursoras (espermatídios). Em caso de presença de apenas células-mãe, efetua-se cultura in vitro. Nestes casos muito graves, a taxa de sucesso da maturação in vitro é de 17%.

No fim da biópsia, o paciente faz analgésico oral. Em casa, durante dois dias, deve fazer 1g de paracetamol de 8/8h. Cuidados. Durante 1-2 dias não deve conduzir. Durante 1-2 semanas não deve praticar desportos e deve evitar relações sexuais. Frequência. A TESE só pode ser repetida passados 6 meses para permitir a recuperação testicular.

Após a recolha das células femininas e masculinas, numa placa de cultura injeta-se um espermatozoide/espermatídio em cada ovócito. A fecundação e o desenvolvimento embrionário ocorrem in vitro numa incubadora como na FIV.

Nesta fase, pode optar-se pela eclosão assistida para casos de dois ou mais ciclos sem implantação e quando a idade da mulher ≥35 anos. Antes da transferência embrionária, abre-se um pequeno orifício (10-15 µm) no invólucro de cada embrião, para facilitar a eclosão.

Outra opção é proceder ao transplante de citoplasma ou nuclear quando há má qualidade do citoplasma dos ovócitos após dois ciclos com défice total de desenvolvimento embrionário e falha de implantação. Este procedimento exige análise genética das células dos ciclos anteriores para comprovar que não existem anomalias genéticas dos ovócitos.

Tal como na FIV, os embriões são transferidos para a cavidade uterina (transferência intrauterina) num cateter, sob controlo ecográfico. É um processo indolor que demora cerca de 5 minutos. Os embriões são libertados 1 cm abaixo do fundo uterino, à saída das trompas. Após a transferência, o cateter é avaliado no laboratório para confirmar que os embriões foram corretamente depositados na cavidade uterina. Nos casos em que não se consegue introduzir o cateter no colo uterino e nos casos em que os embriões não implantam por anomalia molecular dos recetores do endométrio, pode efetuar-se a introdução dos embriões diretamente no endométrio (transferência tran-sendometrial). Neste caso, a taxa de gravidez é menor devido à reação inflamatória da picada. Trata-se de um procedimento indolor e sem complicações, efetuando-se sob controlo ecográfico.

Maturação in vitro de ovócitos. Taxa de fecundação, desenvolvimento embrionário e gravidez: cerca de 10-15% menos.

Espermatozoides (ICSI): Como FIV.

Espermatídios redondos (ROSI): 1-3%

Espermatídios em alongamento (ENSI): 13-15%

Espermatídios alongados (ELSI): 19-27%

Taxa de gravidez gemelar: 20-25%. Pode ser nula se só se efetuar transferência de 1 blastocisto ou de 1-2 embriões (de dia 2 ou de dia 3).

Associação Portuguesa de Fertilidade

Indução da ovulação

Para casos de disfunção ligeira da ovulação, com trompas e endométrio normais, teste de Hunner normal e espermograma normal.

Neste tratamento é feita a estimulação ovárica através de uma terapêutica indicada pelo médico, que tem como objetivo assegurar o crescimento folicular e a ovulação espontânea, com suplemento hormonal por via oral. O crescimento folicular pode ser monitorizado por ecografias sequenciadas e a ovulação pode ser artificialmente induzida com hCG, a que se devem seguir relações sexuais programadas, geralmente durante 3 dias consecutivos.

A taxa de gravidez é de 14-20%.

Diagnóstico genético pré-implantação (DGPI)

O DGPI é utilizado para detetar uma alteração genética específica num embrião, antes deste ser transferido para o útero, ou num ovócito quando existe uma situação de alto risco de transmissão de uma doença genética à criança. Para a realização do DGPI são necessários a realização de uma consulta prévia de aconselhamento genético com médico com a especialidade de Genética Médica e a assinatura do consentimento informado.

O Diagnóstico Genético Pré-Implantação é considerado em situações de:
Casais com doenças genéticas hereditárias com risco maior ou igual a 25% de transmissão ao feto;
Casais com um filho com doença hemato-oncológica a necessitar de transplante de medula óssea mas sem dador compatível de medula óssea ou de sangue de cordão umbilical. Recurso ao DGPI para seleção de embriões com HLA (antigénio leucocitário humano) compatível;
Casais com filho com doença genética. Recurso ao DGPI para seleção de embriões saudáveis e que possam ser dadores de células estaminais para irmão/irmã;
Anomalias do cariótipo com risco maior ou igual a 25% de transmissão ao feto;
Abortamentos de repetição (maior ou igual a 3%);
Casais com risco de transmitirem aos filhos situações de cancro hereditário (mama, cólon, estômago);
Doença genética hereditária mitocondrial. No caso de doença mitocondrial materna, injeta-se um espermatozoide em cada ovócito, conjuntamente com um pouco de citoplasma dador, que contém mitocôndrias normais (transplante de citoplasma).

O processo a realizar antes do DGPI implica a estimulação ovárica, recolha de ovócitos e esperma, e a técnica laboratorial de ICSI.

Iniciado o processo, realiza-se uma biópsia em embriões com 6-12 blastómeros (dia 3). Abre-se um orifício no invólucro de cada embrião (20 µm) e removem-se 1 (se embriões com 6-7 blastómeros) ou 2 (se embriões com ≥8 blastómeros) células. As células removidas vão para análise genética e os embriões são colocados em cultura, isolados.

Segue-se a transferência dos embriões cujo diagnóstico genético tenha sido normal. Os embriões alterados são analisados geneticamente para confirmar o diagnóstico.

Método ROPA ou Fertilização Recíproca

Método utilizado em casais de mulheres, no qual podem ser aplicadas as técnicas de inseminação intrauterina (IIU) com espermatozoides de dador, fertilização in vitro (FIV) com ovócitos das beneficiárias, FIV com recurso a doação de ovócitos e de espermatozoides ou maternidade partilhada, onde os óvulos de uma das mulheres são utilizados na IIU ou FIV mas quem irá receber o embrião e carregar o bebé será a parceira.

À semelhança da preparação para a IIU ou FIV uma das mulheres é submetida a estimulação ovárica. Segue-se a recolha dos óvulos e a fecundação com esperma de dador. Formados os embriões é analisado o seu desenvolvimento até ser feita a seleção e em seguida a transferência para o útero da mulher que irá tentar engravidar.

Tal como noutros tratamentos, os embriões excedentários são criopreservados para poderem ser utilizados numa futura tentativa, seja na mulher que tenta engravidar numa primeira vez, seja na parceira, caso seja esse o seu entendimento.

Transferência de embriões criopreservados (TEC)

Quando existem embriões excedentários após um tratamento de FIV ou ICSI estes são criopreservados para que a mulher ou o casal possam utilizá-los numa segunda tentativa de gravidez, caso um primeiro ciclo não tenha sido bem-sucedido, ou se pretenderem ter outro filho. A criopreservação de embriões evita que a mulher tenha que ser submetida a um novo processo de indução da ovulação, punção e fertilização dos ovócitos.

Caso a mulher ou casal não pretendam utilizar os seus embriões, resultantes de tratamentos, podem autorizar que sejam doados, para ajudar outras pessoas a concretizar o seu projeto de parentalidade, ou disponibilizá-los para o desenvolvimento de investigações científicas. Podem ainda decidir pela destruição dos embriões.

De acordo com a lei portuguesa, se os embriões criopreservados não forem utilizados no prazo de três anos, a mulher ou o casal devem deslocar-se ao centro para assinar um consentimento de manutenção da criopreservação por um período adicional de três anos. Findo este prazo, se os embriões não tiverem sido utilizados, serão descongelados e eliminados.

Infertilidade de A a Z

ABORTO – Interrupção da gravidez, espontânea ou provocada, de um embrião viável ou feto no útero.

ABSTINÊNCIA SEXUAL – Ausência de relações sexuais.

ADENOMIOSE – Invasão benigna da parede muscular do útero por parte do seu revestimento interno.

ADERÊNCIA – Quando estruturas intra-abdominais se encontram coladas entre si.

AGONISTA – Substância (fármaco, transmissor, toxina) que se une e posteriormente estimula um recetor, desencadeando uma série de acontecimentos que conduzem a uma resposta biológica. A união dos agonistas atua sobre um recetor para produzir efeitos similares às ligações naturais enquanto os antagonistas bloqueiam a ação das ligações dos neurotransmissores. Os fármacos podem ser agonistas diretos e indiretos: os primeiros atuam sobre o recetor pós-sináptico e os segundos aumentam os efeitos do neurotransmissor natural sobre o seu recetor, enquanto que os neurotransmissores conhecidos são agonistas de recetores, ainda que alguns sejam antagonistas funcionais.

AGONISTA DA HORMONA LIBERTADORA DE GONADOTROPINA – Análogos sintéticos das hormonas naturais libertadoras de gonadotropinas (GnRH), que inicialmente estimulam a hipófise para sintetizar hormona estimulante de folículos (FSH) e a hormona luteinizante (LH) e, posteriormente, inibem os recetores de GnRH. Isto origina um decréscimo da estimulação do ovário e a cessação da liberação cíclica de estrogénios e progesterona. Em diversos estudos foi observado que estes fármacos podem ser eficazes no tratamento do síndrome pré-menstrual (que inclui depressão, irritabilidade) em 50% a 75% das mulheres tratadas. Não obstante, noutros estudos não se confirmaram estas conclusões.

AMENORREIA – Ausência de períodos menstruais.

ANÁLISE SEMINAL – Exame também chamado Espermograma, o qual tem o objetivo de quantificar e qualificar os espermatozoides e o líquido seminal. Os principais parâmetros avaliados são: Volume do ejaculado, quantidade de espermatozoides, mobilidade e morfologia.

ANDROGÊNIOS – Hormona que estimula a atividade dos órgãos sexuais masculinos secundários e promove o desenvolvimento das características sexuais masculinas. Também é produzido em pequenas quantidades em indivíduos do sexo feminino.

ANEJACULAÇÃO – Ausência de ereção e/ou de ejaculação devido a lesões da medula espinal ou dos nervos pélvicos, a doenças vasculares, determinadas medicações e distúrbios psicológicos.

ANOVULAÇÃO – Falha ou ausência de ovulação.

APARELHO REPRODUTOR MASCULINO – Constituído por: Gonadas (2 testículos); Vias genitais (epidídimo, canal deferente e uretra); Glândulas anexas (próstata, vesículas seminais e glândulas de cowper) e Órgão sexual externo (pénis).

ASPIRAÇÃO FOLICULAR – Aspiração do líquido folicular, onde estão presentes os folículos, com vista à posterior inseminação com os espermatozoides. O procedimento é realizado através da vagina, utilizando-se uma agulha e ultrassonografia para localizar o folículo no ovário.

ASTENOZOOSPERMIA – Diminuição da mobilidade progressiva rápida dos espermatozoides.

AZOOSPERMIA – Ausência de espermatozoides.

BIÓPSIA – Remoção de uma amostra de tecido para exame microscópico.

BLASTOCISTO – Embrião com cerca de cinco dias após a fertilização.

BLASTÓMERO – Cada uma das células que constitui o embrião numa fase precoce do seu desenvolvimento.

BOLSA ESCROTAL – É uma bolsa externa de pele e músculo que contém os testículos. É uma extensão do abdómen e está localizado entre o pénis e o ânus. A função da bolsa escrotal, é manter os testículos a uma temperatura inferior à do resto do corpo (34.4º C). O calor excessivo destrói os espermatozoides. Sendo um músculo, o escroto contrai-se e distende-se, conforme seja necessário aumentar ou reduzir, respetivamente, temperatura no seu interior.

CANAL CERVICAL – Parte mais baixa do útero, interior do colo uterino, que se estende para dentro da vagina. Dilata-se durante o trabalho de parto para permitir a passagem do bebé.

CARIÓTIPO – Análise dos cromossomas.

CATÉTER – Equipamento descartável extremamente flexível utilizado para transferir os pré-embriões ou gâmetas para o interior da cavidade uterina.

CAVIDADE UTERINA – Cavidade virtual do interior do útero, onde se encontra um revestimento chamado endométrio.

CICLO MENSTRUAL – O ciclo menstrual de uma mulher começa no 1º dia em que ela menstrua e vai até o último dia antes da próxima menstruação. Num ciclo normal, a menstruação demora de 28 a 30 dias para aparecer, e dura, em média, de três a cinco dias. O que determina a quantidade do fluxo é o tamanho do útero, a quantidade de endométrio (revestimento interno do útero) e a quantidade de hormonas: estrogénio e progesterona produzidos pelo ovário. O ciclo menstrual é regido por uma série de alterações hormonais, que funcionam de forma interativa entre as glândulas hipotálamo, hipófise, ovários, adrenal e tiroide. Qualquer disfuncionamento nesta cadeia de eventos pode levar a mulher a ter alterações na menstruação. O ciclo pode ser dividido em fases, a fase folicular e a lútea, que tem como divisão a ovulação.

CITOPLASMA – Protoplasma da célula, exclusive o do núcleo.

COLO UTERINO – Parte mais baixa do útero que se estende para dentro da vagina. Esta dilata-se durante o trabalho de parto para permitir a passagem do bebé.

CONCEPÇÃO – Ato de conceber ou ser concebido.

CONCEPÇÃO ASSISTIDA – O mesmo que Reprodução Assistida.

CONTAGEM DE ESPERMATOZÓIDES – O número de espermatozoides num ejaculado. Também chamado de concentração de espermatozoides e expresso como o número de espermatozoides por mililitro.

CORPO LÚTEO – Estrutura que se forma no local de um folículo ovárico após libertar um óvulo. O corpo lúteo liberta estrogénio e progesterona, duas hormonas necessárias para a manutenção da gravidez. Se a gravidez acontece, o corpo lúteo funciona por cinco ou seis meses. Se a gravidez não acontece, ele para de funcionar.

CRIOPRESERVAÇÃO – Armazenamento de órgãos ou tecidos a temperaturas muito baixas. Os embriões que não são usados em ciclos de ART podem ser criopreservados para uso futuro.

CRIPTORQUIDIA – Descida incompleta dos testículos para o escroto, ficando na região abdominal ou no canal inguinal.

CROMOSSOMA – Estrutura onde está o material genético responsável pelas funções das células. Temos 23 pares de cromossomas, entre eles o X e o Y (cromossomas sexuais).

CURETAGEM – Também conhecida por raspagem, é um exame complementar utilizado em ginecologia, quer para diagnóstico quer para tratamento. A curetagem pode ser utilizada para recolha de amostras do endométrio, ou para evacuação do conteúdo uterino duma gravidez não evolutiva, associada a alterações fetais que possa constituir uma ameaça para a mãe. A curetagem exige a dilatação do colo do útero para ter acesso à cavidade uterina; a dilatação é feita com instrumentos próprios que se designam de velas; após a dilatação do colo do útero a colheita de material do endométrio ou a evacuação da cavidade uterina é feita com a utilização dum instrumento designado de cureta.

CURVA DA TEMPERATURA CORPORAL BASAL – Registo da temperatura da mulher (todas as manhãs, ao acordar e pela mesma hora), com vista à identificação das alterações que representam a ovulação.

DESENVOLVIMENTO FOLICULAR – Crescimento do(s) folículo(s) que geralmente é acompanhado por exame de ultrassonografia trans-vaginal.

DIAGNÓSTICO GENÉTICO PRÉ-IMPLANTATÓRIO (DGPI) – Diagnóstico genético realizado a partir da aspiração de um ou mais blastómeros de um pré-embrião ou do primeiro corpúsculo polar do ovócito, obtido por FIV ou ICSI, através de micromanipulação. Pode ser feito em nível génico por técnicas de biologia molecular (PCR – Reação da Cadeia de Polimerase) ou em nível citogenético (FISH – Hibridização in situ pela fluorescência).

DNA RECOMBINANTE – DNA que foi modificado de modo que contenha genes provenientes de duas fontes diferentes. A tecnologia recombinante é frequentemente usada para produzir medicamentos de elevada pureza.

DOAÇÃO DE ÓVULOS – Processo de coleta de óvulos de uma doadora. Estes são fertilizados com o espermatozoide do cônjuge da recetora no laboratório de FIV. Os embriões são transferidos à recetora.

DOADORA – Pessoa que doa espontaneamente os seus óvulos para serem utilizados em tratamentos de RMA.

DOENÇAS GENÉTICAS – Dividem-se em dois grupos: as cromossómicas, detetadas no mapeamento cromossómico do feto e os chamados distúrbios monogênicos, comuns em gestantes com idade acima de 35 anos. Os distúrbios monogénicos podem ser detetados em exames, geralmente solicitados pelo obstetra, a gestantes que apresentam doenças ligas ao sexo. Os exames também são indicados para casais portadores de translocações cromossómicas, mulheres que tenham filhos com cromossomopatias (síndrome de Down, entre outras doenças), ou ainda, que tenham filhos com má formação.

ECOGRAFIA – Exame através de ultrassons para visualizar os órgãos reprodutores; por exemplo, para monitorizar o desenvolvimento folicular.

EIXO HIPOTÁLAMO-HIPÓFISE – Estrutura anatómica entre regiões do cérebro e da glândula hipófise que tem a função de regular todo o sistema endócrino.

EJACULAÇÃO – Expulsão do líquido (sémen) que contém os espermatozoides.

EJACULAÇÃO RETRÓGRADA – Quando o sémen durante a ejaculação reflui para a bexiga urinária em vez de ser expelido para o exterior através da uretra.

EJACULADO – Mesmo que líquido seminal ou esperma. É um líquido esbranquiçado que se elimina pela uretra (canal no interior do pénis que também transporta a urina) durante a ejaculação. O sémen é o resultado de uma mistura de secreções originadas nos testículos, onde se produzem os espermatozoides, com as secreções da próstata, vesículas seminais e glândulas bulboretrais. Normalmente, cada centímetro cúbico de sémen contém milhões de espermatozoides, embora a maior parte do volume do sémen seja formado pelas secreções das glândulas do aparelho reprodutor masculino (principalmente próstata e vesículas seminais).

EMBRIÃO – Conjunto de células que se formam após a fertilização de um óvulo com um espermatozoide e que é a primeira etapa do desenvolvimento de um ser vivo. O período embrionário termina na 8ª semana depois da fecundação, quando passa a ser denominado de feto.

EMBRIÕES EXCEDENTÁRIOS – Embriões resultantes de técnicas de Procriação Medicamente Assistida que não foram implantados no útero da mulher e, por isso, foram congelados até ser decidido o seu destino.

ENDOMÉTRIO – Mucosa que reveste a parede uterina, é formado por fibras musculares lisas e estimulado por uma hormona folicular chamada estradiol e pela progesterona produzida pelo corpo lúteo (ovário), tem um aumento na sua espessura por ocorrer divisão celular. Não ocorrendo a implantação, o endométrio descola-se da parede uterina e sai pela vagina, o que chamamos de menstruação.

ENDOMETRIOMA OVÁRICO – Também designados por “quistos chocolate” são quistos que se encontram unidos ao ovário e que contêm tecidos do endométrio. Geralmente medem entre 1 cm e 10 cm e são característicos da endometriose.

ENDOMETRIOSE – Doença que acomete as mulheres em idade reprodutiva e que consiste na presença de endométrio em locais fora do útero. Os locais mais comuns da endometriose são: Fundo de Saco de Douglas (atrás do útero), septo reto-vaginal (tecido entre a vagina e o reto), trompas, ovários, superfície do reto, ligamentos do útero, bexiga, e parede da pélvis. O principal sintoma é a dor, às vezes muito forte, na época da menstruação. Dores para ter relações também são comuns. Dores na bexiga e no intestino, na época da menstruação, também são sinais que devem ser investigados. Mas muitas mulheres que têm endometriose não sentem nada. Apenas tem dificuldade em engravidar. Por outro lado ter endometriose não é sinónimo de infertilidade, muitas mulheres com endometriose engravidam normalmente. No entanto, 30 a 40 % das mulheres que tem endometriose têm dificuldade em engravidar.

ENDOMETRITE – Infeções do endométrio causadas geralmente por bactérias de transmissão sexual ou pós-curetagem (micoplasma, clamídea, listeria) ou, em casos menos frequentes, devido a infeções persistentes pelo parasita protozoário toxoplasma ou pelo vírus do colo uterino HPV (vírus do papiloma humano). Estas infeções impedem a implantação e podem provocar abortamento.

EPIDÍDIMO – O epidídimo (junto aos gémeos) é um pequeno ducto contornado que fica por trás do testículo, no escroto, na base do canal deferente, condutor do esperma do testículo até a próstata. O epidídimo é tão longo como o testículo, em forma de “C” achatado, junto a um dos lados do testículo. É um sistema tubular complexo que coleta o esperma e o acumula até ser necessário. Depois de ter sido armazenado no epidídimo, o esperma avança através do canal deferente até à próstata, onde se mistura com o sémen originário das vesículas seminais e move-se pela próstata até a uretra durante a ejaculação.

ESPÉCULO – Aparelho usado no exame ginecológico para que possa ser visualizado o colo do útero, popularmente chamado de “bico de pato”.

ESPERMA – O mesmo que sémen. É um líquido esbranquiçado que se elimina pela uretra (canal no interior do pénis que também transporta a urina) durante a ejaculação. O sémen é o resultado de uma mistura de secreções originadas nos testículos, onde se produzem os espermatozoides, com as secreções da próstata, vesículas seminais e glândulas bulboretrais. Normalmente, cada centímetro cúbico de sémen contém milhões de espermatozoides, embora a maior parte do volume do sémen seja formado pelas secreções das glândulas do aparelho reprodutor masculino (principalmente próstata e vesículas seminais).

ESPERMATOGÉNESE – Processo de produção dos espermatozoides.

ESPERMATOZOIDE – Célula reprodutora masculina; o gâmeta masculino. É uma célula com motilidade ativa, capaz de nadar livremente, e que consiste numa cabeça e numa cauda ou flagelo. A cabeça, que constitui o maior volume do espermatozoide, consiste no núcleo, onde o material genético está muito concentrado. Os dois terços anteriores do núcleo estão cobertos pelo acrossoma, que, limitado por uma membrana contendo enzimas, facilita a penetração do espermatozoide no óvulo. A cauda é responsável pela motilidade do espermatozoide e na área intermediária da cauda encontramos os produtores de energia celular. Estes vivem em média 24 horas no trato genital feminino, porém alguns espermatozoides são capazes de fecundar o óvulo após três dias. Existem dois tipos de espermatozoides normais. Um deles contém o cromossoma X (responsável pela formação de um ser do sexo feminino) e o outro contém o cromossoma Y (responsável pela formação de um ser do sexo masculino). Para percorrer a sua trajetória, o espermatozoide necessita nadar 11 centímetros por hora (equivalente a um homem atravessar uma piscina de 50 metros em 5 segundos). Geralmente 200 a 500 milhões de espermatozoides são depositados na parte posterior da vagina, e apenas 300 a 500 alcançam o local da fecundação. O tempo desta corrida pode ser de 5 a 45 minutos. O vencedor entra no óvulo (porém a sua cauda não) e é responsável por uma nova vida.

ESPERMOGRAMA – Exame laboratorial que avalia no sémen ejaculado o volume, pH, viscosidade, o tempo de liquefação, a concentração, a mobilidade, a morfologia e resistência dos espermatozoides, as infeções e a presença de anticorpos.

ESTERILIDADE – A esterilidade é a incapacidade para produzir descendência. Uma condição irreversível que impede a conceção.

ESTIMULAÇÃO DA OVULAÇÃO – Processo através do qual os ovários são estimulados – através da administração de medicamentos – a produzir e libertar mais óvulos do que aquele que, normalmente, a mulher liberta.

ESTRADIOL – Hormona feminina que nivela o desenvolvimento dos folículos, altamente estrogénica que é um álcool esteroide, fenólico, cristalino, branco (C18H24O2).

ESTROGÉNIO – Hormona que estimula o desenvolvimento das características sexuais secundárias femininas e controla o curso do ciclo menstrual, produzida nos ovários. Também é produzido em pequenas quantidades em indivíduos do sexo masculino.

ESTUDO HORMONAL – Exames solicitados para avaliar a produção das hormonas.

ESTUFA – Equipamento necessário para que ocorra o desenvolvimento dos pré-embriões, pois mantém a mesma concentração de CO2, humidade e temperatura do interior das trompas uterinas.

FECUNDAÇÃO – União de um óvulo com um espermatozoide, a partir da qual é criado um embrião.

FERTILIDADE – Estado ou qualidade de ser fértil.

FERTILIZAÇÃO – Em biologia chama-se fertilização ao momento em que um espermatozoide penetra num óvulo e onde a combinação dos seus materiais genéticos cria um embrião. Normalmente ocorre dentro da trompa de Falópio (in vivo), mas também pode ocorrer em uma placa de Petri (in vitro). (Veja também Fertilização In Vitro.).

FERTILIZAÇÃO ASSISTIDA – O mesmo que Reprodução Assistida.

FERTILIZAÇÃO IN VITRO (FIV) – Expressão latina que designa todos os fenómenos biológicos que têm lugar fora dos sistemas vivos, no ambiente controlado de um laboratório. Significa “em vidro”. Foi popularizada pelas técnicas de reprodução assistida (fertilização in vitro). É a técnica mais amplamente utilizada e de facto resolve vários distúrbios da fertilidade, particularmente problemas de tubas uterinas e deficiências dos espermatozoides. Técnica de PMA, através da qual um óvulo é fertilizado fora do corpo da mulher, ou seja, em meio laboratorial. É um processo de quatro etapas. Na primeira delas, a hormona folículo-estimulante (FSH) é utilizada para estimular o crescimento do maior número de óvulos possível. Tal desenvolvimento múltiplo aumenta as chances de fertilização e de gravidez. Na segunda etapa, o hCG é usado para estimular a liberação dos óvulos maduros, que são colectados dos ovários, por via vaginal, utilizando-se uma agulha fina visualizada por ultra-som. Na terceira etapa, os óvulos são transferidos para uma placa no laboratório, na qual são colocados juntamente com os espermatozoides para que ocorra a fertilização. Na etapa final, alguns óvulos fertilizados ou embriões são transferidos para o interior do útero por meio de um cateter.

FETO – Entre as oito semanas após a fertilização do óvulo (embrião) e o nascimento da criança.

FIBROMIOMA – Tumor benigno (não-maligno e que não determina risco de vida) de tecido fibroso que pode ocorrer na parede uterina. Pode ocorrer totalmente sem sintomas ou pode causar padrões menstruais anormais ou infertilidade.

FLUXO MENSTRUAL – Também conhecido como menstruação, é o fenómeno fisiológico do período fértil da mulher, que permite a eliminação periódica do endométrio com fluxo sanguíneo. A menstruação geralmente começa nas jovens a partir dos 12 anos de idade. Mas pode começar a qualquer momento entre os 8 e 16 anos.

FOLICULAR – Referente a Folículo.

FOLÍCULO – Sacos preenchidos por fluídos existentes no ovário, os quais contêm os ovócitos libertados aquando da ovulação. Em cada mês, desenvolve-se um ovócito dentro do ovário num folículo.

GÂMETA – Uma célula reprodutiva. O espermatozoide em homens, o óvulo em mulheres.

GENÓTIPO – Constituição genética determinada pelos alelos de um organismo. Em geral o termo é sinónimo de genoma. O genótipo é a constituição genética de uma característica observada ou proteína, enquanto que os traços macroscópicos visíveis representam o fenótipo.

GESTAÇÃO – Os nove meses em que a mulher está grávida. Começa na fertilização do óvulo com o espermatozoide e termina no parto.

GIFT – Mesmo que Transferência Intrafalopiana de Gâmetas. Técnica de PMA em que a fertilização do óvulo da mulher com o espermatozoide do homem decorre no interior da trompa de Falópio.

GLANDE – Parte final do pénis.

GLÂNDULAS – Tecidos glandulares capazes de elaborar substâncias químicas que são lançadas diretamente no sangue. Estas substâncias são denominadas hormonas.

GONADOTROFINA CORIÔNICA (HCG) – A hormona produzida no início da gravidez que mantém o corpo lúteo produzindo progesterona. Também é usada através de injeção para desencadear a ovulação após alguns tratamentos de fertilidade, sendo utilizada também em homens para estimular a produção de testosterona.

GONADOTROFINA HIPOFISÁRIA – A gonadotrofina é a hormona que atua no desenvolvimento e estimulação das glândulas sexuais masculinas ou femininas. A hipofisária é a hormona segregada no lobo anterior da hipófise que favorece o desenvolvimento do corpo amarelo, na mulher, e estimula a produção de testosterona no homem.

Hormona folículo-estimulante (FSH) e hormona luteinizante (LH).

GRAVIDEZ ANEMBRIÓNICA – Gravidez sem embrião.

GRAVIDEZ ECTÓPICA – Sucede quando a implantação e gravidez ocorre na cavidade abdominal (quando o ovócito fecundado cai da trompa para a cavidade abdominal) ou na trompa de Falópio, ao invés de no útero.

GRAVIDEZ ESPONTÂNEA – Gravidez que ocorre sem recurso a técnicas de PMA, resultante de uma relação sexual desprotegida.

GRAVIDEZ MÚLTIPLA – Quando existem dois ou mais fetos na mesma gestação. Acontece mais frequentemente de forma manipulada. É muito raro ocorrer gravidez múltipla natural com mais de três fetos.

HIDROCELO – Acumulação congénita de líquido no escroto e que causa diminuição da qualidade do sémen.

HIDROSSALPINGE – Acumulado de líquido seroso que produz distensão da parede das trompas, que ocorre devido a obstrução do óstio abdominal e uterino de uma ou duas trompas em consequência de malformações, processo inflamatório (mais frequente).

HIPERESTIMULAÇÃO OVÁRICA – Condição rara, que ocorre quando muitos folículos crescem e causam distensão abdominal, desconforto, náuseas, e algumas vezes dificuldade para respirar. Em casos extremos torna-se necessária a hospitalização. Pode ser evitada pela monitoração cuidadosa.

HIPERPLASIA BENIGNA DO ENDOMÉTRIO – Quando por desregulação hormonal ou infeção crónica, o endométrio espessa de tal modo que impede a implantação ou induz abortamento.

HIPERSPERMIA – Aumento do volume do sémen.

HIPOGONADISMO – Função ovárica ou testicular inadequada, que é demonstrada pela baixa produção de espermatozoides ou pela ausência da produção do folículo, assim como por níveis baixos ou ausentes de FSH e LH.

HIPOPLASIA DO ENDOMÉTRIO – Quando por défices hormonais ou mutações genéticas dos recetores das hormonas esteroides para a progesterona e estrogénios, o endométrio não cresce (12-14mm) na altura da implantação, o que dificulta a gravidez.

HIPOSPERMIA – Diminuição do volume do sémen.

HISTEROSALPINGOGRAFIA (HSG) – A histerossalpingografia é um exame radiológico de diagnóstico de patologias uterinas e tubárias. Consiste na introdução de um líquido inócuo de contraste, através do canal cervical, que vai permitir visualizar a cavidade do útero e avaliar a permeabilidade das trompas. Trata-se de uma técnica segura e de execução rápida uma vez que os avanços científicos e instrumentais dos últimos anos permitiram sintetizar materiais intrusivos mais flexíveis, desenvolver procedimentos técnicos menos dolorosos e baixar a dose de radiação necessária. Além disso, e porque se trata de uma técnica digital, permite uma análise de resultados em tempo real. Em casos de impermeabilidade devido a aderências nas paredes tubárias, a pressão do líquido radiopaco introduzido pode ser suficiente para desobstruir as trompas, razão pela qual algumas mulheres com esta causa de infertilidade conseguem engravidar logo no primeiro ciclo menstrual após a realização do exame.

HISTEROSCOPIA – Exame que permite a visualização direta do interior do útero, com introdução de um instrumento de ótica via vaginal, denominado histeroscópio, e visualização através do monitor de vídeo. A realização de investigações e diagnósticos é ambulatória e não requer internamento. As histeroscopias cirúrgicas são feitas sem incisões ou cortes, em ambiente hospitalar, com internamento de, no máximo, 24 horas.

HORMONA FOLÍCULO-ESTIMULANTE (FOLLICLE STIMULATING HORMONE, FSH) – Hormona hipofisiária que estimula o desenvolvimento folicular e a espermatogénese (desenvolvimento dos espermatozoides). Na mulher, a FSH estimula o crescimento dos folículos ováricos. No homem, a FSH estimula as células de Sertoli nos testículos e dá suporte à produção de espermatozoides. Níveis elevados de FSH estão associados com insuficiência gonadal tanto em homens quanto em mulheres.

HORMONA LIBERADORA DE GONADOTROFINAS (GONADOTROPIN RELEASING HORMONE, GNRH) – Substância segregada a cada noventa minutos por uma parte do cérebro chamada hipotálamo. Essa hormona faz com que a hipófise segregue LH e FSH, o que estimula as gónadas.

HORMONA LUTEINIZANTE (LUTEINIZING HORMONE, LH) – Hormona hipofisária que estimula as gónadas. No homem, a LH é necessária para a espermatogênese e para a produção de testosterona. Na mulher, a LH é necessária para a produção de estrogénio.

HORMONAS – Substância química específica segregada pelo sistema endócrino, que é produzida num órgão ou em determinadas células do mesmo e é liberada e transportada diretamente pelo sangue ou por outros fluídos corporais. A sua função é exercer uma ação reguladora (ativadora ou inibidora) em outros órgãos ou regiões do corpo. Em geral trabalham devagar e agem por muito tempo, regulando o crescimento, o desenvolvimento, a reprodução e as funções de muitos tecidos, bem como os processos metabólicos do organismo. Nas mulheres, por volta dos 40 anos de idade, há uma queda brusca na produção de hormonas, que é chamada de menopausa; nos homens, essa queda é chamada de andropausa. Algumas hormonas mais conhecidas são as que regulam as funções sexuais dos mamíferos (a testosterona e o estrogénio) e hormonas que regulam o nível de glicose no sangue (como a insulina).

IMPLANTAÇÃO DO EMBRIÃO – A inserção do embrião no interior do tecido de modo que possa estabelecer contacto com o suprimento de sangue da mãe para a sua nutrição. A implantação usualmente ocorre na camada que recobre internamente o útero; no entanto, numa gravidez ectópica, pode ocorrer noutro local.

INDUÇÃO DA OVULAÇÃO – Tratamento médico realizado para iniciar a ovulação.

INFERTILIDADE – A incapacidade de conceber após um ano de relações sexuais não protegidas (seis meses se a mulher tem mais de 35 anos de idade) ou a incapacidade de manter a gravidez até o termo.

INJECÇÃO INTRACITOPLASMÁTICA DE ESPERMATOZOIDE – (INTRACYTOPLASMIC SPERM INJECTION, ICSI) – Uma micromanipulação (ocorre sob microscopia), procedimento no qual um único espermatozoide é injetado diretamente no interior do óvulo para possibilitar a fertilização com contagens de espermatozoides muito baixas ou com espermatozoides não-móveis (espermatozoides que não nadam efetivamente em direção ao óvulo). O embrião é, então, transferido para o útero.

INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL (ARTIFICIAL INSEMINATION, AI) – Introdução de espermatozoides diretamente no interior da vagina ou no útero, com o uso de um cateter. Geralmente é indicada para casais com infertilidade masculina, como baixo volume de sémen, baixa concentração ou motilidade diminuída dos espermatozoides bem como para problemas de desempenho sexual e para utilização de um dador de espermatozoides. Mas a inseminação artificial também pode ser utilizada para tratar casos de infertilidade feminina, como problemas do muco cervical ou fatores imunológicos. É um procedimento relativamente simples e indolor, realizado no consultório médico. Numa técnica denominada inseminação intrauterina (IIU), o médico insere os espermatozoides diretamente no interior do útero, próximo do momento da ovulação. Caso a mulher tenha muco cervical em pequena quantidade ou ausente, esse procedimento aumenta as hipóteses de fertilização. Algumas vezes, mais de uma inseminação é realizada para garantir que a inseminação coincida com a ovulação.

INSEMINAÇÃO INTRA-UTERINA (IIU) – Procedimento no qual o médico coloca os espermatozoides diretamente no interior do útero através do colo usando um cateter.

INSUFICIÊNCIA OVÁRICA – Incapacidade do ovário de responder à estimulação da FSH proveniente da hipófise, devido a lesão ou malformação do ovário, ou a uma doença crónica, tal como uma doença autoimune. É diagnosticada por FSH elevada no sangue.

INTERRUPÇÃO VOLUNTÁRIA DA GRAVIDEZ – Identificado com a sigla IVG ou ainda designado aborto induzido, é um procedimento que deve ser realizado precocemente em serviços de saúde legais e autorizados. A Lei determina que a IVG deve ser realizada “para evitar perigo de morte ou de grave e duradoura lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida, e seja realizada nas primeiras 12 semanas de gravidez”. Em caso de opção da mulher, a interrupção da gravidez deve ocorrer até às 10 semanas de gestação.

Esta letra não apresenta definições.

LAPAROSCOPIA – Exame da região pélvica, usando um pequeno telescópio chamado de laparoscópio, para observação da cavidade abdominal, introduzido numa incisão abaixo do umbigo.

LAQUEAÇÃO TUBÁRIA – Ligadura cirúrgica das trompas de falópio, que fazem o caminho dos ovários até o útero.

LÍQUIDO FOLICULAR – Líquido do interior dos folículos que possuem várias substâncias necessárias para o crescimento e nutrição do ovócito.

LÍQUIDO SEMINAL – Líquido onde existem os espermatozoides, resultado de uma mistura de secreções originadas da próstata, vesículas seminais e glândulas bulboretrais.

MATURAÇÃO ESPERMÁTICA – Processo através do qual os espermatozoides adquirem a capacidade de entrar em contacto com o ovócito, penetrar nos seus revestimentos e fundir com seu núcleo (capacidade de fertilização). Este processo envolve uma série de trocas moleculares entre os espermatozoides e os fluídos epididimários. Durante a maturação espermática, os espermatozoides também desenvolvem a sua capacidade de mobilização (motilidade espermática).

MEIO DE CULTURA – Destinam-se ao cultivo de micro-organismos. Estes meios fornecem os princípios nutritivos indispensáveis ao seu crescimento. Entre os principais estão uma fonte de carbono (geralmente açúcar) e energia.

MENOPAUSA – Fim da ovulação da mulher e, logo, da sua capacidade reprodutiva.

MENSTRUAÇÃO – Ciclo mensal que se traduz numa pequena hemorragia, resultante de um óvulo que, aquando da ovulação, é libertado e não fertilizado.

MESA (MICROSURGICAL EPIDIDYMAL SPERM ASPIRATION) – Aspiração Microcirúrgica de Espermatozóide do Epidídimo. Técnica de obtenção de espermatozoides no epidídimo de homens azoospérmicos, em geral por causa obstrutiva, através de aspiração microcirúrgica do epidídimo exposto por incisão da bolsa escrotal.

MICROMANIPULAÇÃO – Uma variedade de técnicas que podem ser realizadas num laboratório sob microscopia. Um embriologista manipula o óvulo e os espermatozoides para aumentar as hipóteses de gravidez. (Veja Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides, ICSI.)

MICROMANIPULADOR – Aparelho utilizado para a realização da Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides, ICSI. (Veja Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides, ICSI.)

MIOMA – Tumor benigno (não-maligno e que não determina risco de vida) de tecido fibroso que pode ocorrer na parede uterina. Pode ser totalmente sem sintomas ou causar padrões menstruais anormais ou infertilidade.

MOBILIDADE – O mesmo que motilidade. Capacidade dos espermatozoides em nadar. Motilidade deficiente significa que os espermatozoides têm dificuldade para nadar em direção ao óvulo.

MONITORIZAÇÃO DA OVULAÇÃO – Observação, através de ecografias, da ovulação, nomeadamente quando esta é estimulada por medicamentos.

MORFOLOGIA – Forma dos espermatozoides em relação às três principais partes analisadas. Cabeça, peça intermediária e cauda.

MOTILIDADE – Capacidade dos espermatozoides em nadar. Motilidade deficiente significa que os espermatozoides têm dificuldade para nadar em direção ao óvulo.

MUCO CERVICAL – Secreção eliminada pelo colo uterino por ação da hormona estrogénio. Normalmente é espesso, mas torna-se mais fino durante o período de ovulação, possibilitando a passagem dos espermatozoides da vagina para o útero e sua sobrevivência.

NECROZOOSPERMIA – Imobilidade total por morte dos espermatozoides.

NÚCLEO – Parte da célula que possui o DNA.

OLIGOZOOSPERMIA – Diminuição da concentração (número) dos espermatozoides.

OVÁRIO – Órgão reprodutor feminino onde são produzidos os gâmetas femininos, os óvulos. Produz hormonas, como o estrogénio e a progesterona.

OVÁRIOS POLIQUÍSTICOS – Ovários com tamanho acima do normal e com quistos.

OVÓCITOS – Óvulo assim que sai do folículo. É o mesmo que o óvulo.

OVULAÇÃO – Libertação do óvulo a partir do folículo ovárico.

ÓVULO – Célula sexual feminina produzida pelos ovários. Após a fecundação, o óvulo passa a chamar-se zigoto.

PÉNIS – Órgão sexual dos indivíduos do sexo masculino, que contém os canais dos aparelhos urinário e genital que comunicam com o exterior do corpo. É, portanto, um órgão com uma função dupla: na reprodução e na excreção da urina.

PERÍODO FÉRTIL – Os dias próximos da ovulação.

PESA – Aspiração percutânea de espermatozoides do epidídimo.

PICO DA HORMONA LUTEINIZANTE (PICO DO LH) – Libertação de hormona luteinizante (LH) que causa libertação de um óvulo maduro a partir do folículo.

PÓLIPO – Destina-se a denominar tumores benignos que se fixam na cavidade uterina e no colo do útero por uma haste ou pedículo. Os pólipos endometriais são proliferações glandulares focais organizadas da camada basal, havendo crescimento excessivo do tecido epitelial, estroma e vasos sanguíneos em quantidades variáveis. Causam frequentemente hemorragias, impedem a implantação devido a ocuparem espaço e a desencadearem inflamação e podem induzir abortamento.

PRÉ-EMBRIÃO – Resultado da fertilização do ovócito pelo espermatozoide.

PREPÚCIO – Tecido de pele que recobre a glande no pénis.

PROCESSAMENTO SEMINAL – Técnicas laboratoriais que removem o plasma seminal e procuram isolar espermatozoides móveis, separando-os dos outros constituintes celulares.

PROCRIAÇÃO MEDICAMENTE ASSISTIDA (PMA) – Reprodução resultante da intervenção médica.

PROGESTERONA – Hormona feminina, produzida pelo corpo lúteo durante a segunda metade de um ciclo menstrual. Espessa a camada de revestimento interno do útero com o fim de prepará-la para aceitar a implantação de um óvulo fertilizado.

PROLACTINA – Hormona que estimula a produção do leite materno nas mulheres. Níveis elevados de prolactina resultam numa condição conhecida como hiperprolatinemia, uma condição que interfere na ovulação. Os testes sanguíneos para determinar se essa é a causa de um problema ovulatório usualmente são realizados no início do ciclo.

PUNÇÃO – Aspiração do líquido folicular, onde estão presentes os folículos, com vista à posterior inseminação com os espermatozoides. O procedimento é realizado através da vagina, utilizando-se uma agulha e ultrassonografia para localizar o folículo no ovário.

QUISTOS – Estruturas de forma ovóide, constituídas por um saco sem orifício de abertura, contendo no seu interior um fluido, e que podem aparecer em cavidades, tecidos e órgãos do corpo humano.

QUISTOS FUNCIONAIS – Acontece quando não se consegue romper o folículo e o ovócito não é libertado.

RECEPTORA – Paciente que receberá pré-embrião(ões) provenientes de ovócitos de doadoras fertilizados com espermatozoides do seu parceiro.

RECUPERAÇÃO DO ÓVULO – Procedimento usado para obtenção de óvulos a partir dos folículos ováricos para uso em fertilização in vitro. O procedimento pode ser realizado durante laparoscopia ou através da vagina, utilizando-se uma agulha e ecografia para localizar o folículo no ovário.

REDUÇÃO EMBRIONÁRIA – Desvitalização de embriões para que os restantes se desenvolvam normalmente. É uma hipótese para casos de gestações múltiplas.

REPRODUÇÃO ASSISTIDA – Ver Tecnologias de Reprodução Assistida.

ROPA – A Receção de Óvulos da Parceira ou Fertilização Recíproca é um método exclusivo para casais de mulheres utilizado na FIV ou ICSI. No ROPA, uma das mulheres do casal doa os óvulos e a sua parceira é quem irá gerar a criança. O método é utilizado em Portugal.

SALPINGECTOMIA – Remoção cirúrgica de uma trompa.

SALPINGITE – Inflamação das trompas geralmente causadas por infeção.

SÉMEN – O mesmo que esperma. É um líquido esbranquiçado que se elimina pela uretra (canal no interior do pénis que também transporta a urina) durante a ejaculação. O sémen é o resultado de uma mistura de secreções originadas nos testículos, onde se produzem os espermatozoides, com as secreções da próstata, vesículas seminais e glândulas bulboretrais. Normalmente, cada centímetro cúbico de sémen contém milhões de espermatozoides, embora a maior parte do volume do sémen seja formado pelas secreções das glândulas do aparelho reprodutor masculino (principalmente próstata e vesículas seminais).

SÍNDROME DOS OVÁRIOS MICRO-POLIQUÍSTICOS (SOMP) – Doença caracterizada pela presença de microquistos ovarianos encontrados na periferia dos ovários, associada com alterações do ciclo menstrual ou em alguns casos com ausência de menstruação, podendo estar associada a aumento de pelos e obesidade. Pode ocasionalmente dificultar a gestação.

SINÉQUIA – O mesmo que Aderência. A aderência ou sinéquia intrauterina, é a aderência parcial ou total das faces internas da cavidade uterina por lesão do endométrio, ocorre principalmente após infeções genitais ou após manobras ou procedimentos intracavitários, especialmente curetagens uterinas drásticas ou repetidas, quase sempre após abortamento ou parto. Dificultam a implantação e podem induzir abortamento.

TECNOLOGIAS DE REPRODUÇÃO ASSISTIDA (ASSISTED REPRODUCTIVE TECHNOLOGIES, ART) – Alguns casais necessitam de procedimentos mais sofisticados, conhecidos como tecnologias de reprodução assistida (ART, do inglês), que ajudam a unir o espermatozoide ao óvulo ou seja ajudam a conceção sem relações sexuais. ART representa uma esperança aos casais que não respondem aos outros tratamentos e envolve as mesmas terapias hormonais utilizadas na indução da ovulação, além de técnicas para aumentar a fertilização do óvulo pelo espermatozoide.

TERATOZOOSPERMIA – Diminuição do número de espermatozoides morfologicamente normais.

TESA (TESTICULAR SPERM ASPIRATION) – Aspiração Testicular do Espermatozoide – Técnica de obtenção de espermatozoides no testículo através de aspiração percutânea com agulha.

TESE (TESTICULAR SPERM EXTRACTION) – Técnica de obtenção de espermatozoides por biópsia testicular. Pode ser realizada por via cirúrgica ou percutânea com agulhas de biópsia.

TESTE PÓS-COITAL – Exame microscópico do muco cervical realizado após a relação sexual para determinar a compatibilidade do muco com o espermatozoide. Utilizado para detetar problemas na interação espermatozoide-muco e a qualidade do muco cervical.

TESTÍCULO – Gonada sexual masculina dos animais sexuados produzindo as células de fecundação chamadas de espermatozoides (os gâmetas masculinos). Geralmente ocorre aos pares e encontram-se protegidos por uma bolsa, chamada escroto ou no interior do corpo dos animais (geralmente os répteis ou os marinhos). Também têm função de glândulas produzindo hormonas masculinas. A sua função é homóloga à dos ovários das fêmeas. Nos seres humanos, os testículos são suspensos pelos cordões espermáticos formados por vasos sanguíneos e linfáticos, nervos, cremaster, epidídimo e canal deferente.

TESTOSTERONA – Hormona masculina responsável pela formação de características sexuais secundárias e que dá suporte à estimulação sexual. A testosterona também é necessária para a espermatogénese (desenvolvimento dos espermatozoides).

TRANSFERÊNCIA DE BLASTÓCITO – Um avanço recente no tratamento da infertilidade, no qual os embriões se desenvolvem por 4 ou 5 dias (até que atinjam a fase de blastócito) em vez dos usuais 2 ou 3 dias da FIV.

TRANSFERÊNCIA DE EMBRIÃO – Colocação de um ovo (pré-embrião), que foi fertilizado fora do útero, no interior do útero ou da trompa de Falópio de uma mulher.

TRANSFERÊNCIA DE PRÉ-EMBRIÕES – Colocação de um ovo (pré-embrião), que foi fertilizado fora do útero, no interior do útero ou da trompa de Falópio de uma mulher.

TRANSFERÊNCIA INTRAFALOPIANA DE GÂMETA (GAMETE INTRAFALLOPIAN TRANSFER, GIFT) – Técnica de PMA em que a fertilização do óvulo da mulher com o espermatozoide do homem decorre no interior da trompa de Falópio.

TRANSFERÊNCIA INTRAFALOPIANA DE ZIGOTOS – Técnica de PMA que consiste na introdução nas trompas de falópio de zigotos.

TRATAMENTO DE FERTILIDADE – Qualquer método ou procedimento usado para aumentar a fertilidade ou aumentar a probabilidade de gravidez, tal como o tratamento de indução da ovulação, correção de varicocelo (reparação de veias varicosas no saco escrotal) e microcirurgia para correção de trompas de Falópio lesadas. A meta do tratamento de fertilidade é ajudar os casais a ter filhos.

TROMPAS DE FALÓPIO – Ou tubas uterinas, são dois canais extremamente finos que ligam os ovários ao útero e pelos quais os óvulos passam até chegar ao útero, após serem libertados do folículo. Os espermatozoides normalmente encontram o óvulo na trompa, o local no qual a fertilização usualmente acontece. O nome é em homenagem ao seu descobridor, o anatomista italiano do século XVI, Gabriele Falloppio. Existem duas trompas de Falópio, cada uma ligando a um lado do útero e terminando perto de um ovário. Entretanto, as trompas de Falópio não estão diretamente ligadas aos ovários, mas abertas na cavidade peritonial (o interior do abdómen). Desta forma, elas são uma ligação direta entre a cavidade peritonial e o exterior do corpo feminino, via a abertura da vagina. Nos seres humanos, as trompas de Falópio têm por volta de 7 a 14 cm.

ULTRASSONOGRAFIA TRANS-VAGINAL – Exame utilizado em detrimento dos raios-X para visualizar os órgãos reprodutores; por exemplo, para monitorizar o desenvolvimento folicular.

VAGINA – Órgão sexual feminino dos mamíferos, parte do aparelho reprodutor que consiste num pequeno canal que se estende do colo do útero à vulva.

VARICOCELO – Varizes do escroto. Causa diminuição da qualidade do sémen.

VASECTOMIA – Na vasectomia há ligadura (que quer dizer interrupção, no jargão médico) dos dois ductos deferentes (pequenos ductos que levam os espermatozoides dos epidídimos e testículos até a uretra prostática). Os testículos continuarão a funcionar normalmente, sendo que apenas os espermatozoides produzidos não sairão mais pela ejaculação e serão absorvidos.

VASECTOMIZADOS – Homens que passaram pela cirurgia de Vasectomia.

VULVA – Vulva é a parte externa do órgão genital feminino. Externamente pode ser revestida por pelos púbicos. É constituída pelos grandes lábios (labia majora), revestidos internamente por tecido muscular. Em seguida há um par de pregas mais finas, os pequenos lábios (labia minora), que podem ou não estar inclusos nos grandes lábios. No interior dos lábios encontram-se o clítoris, a abertura da uretra e a abertura da vagina.

WAALER-ROSE (TESTE) – Teste para a determinação direta e semi-quantitativa de Fatores Reumatoides (FR) no soro humano.

X-Frágil ou SXF – Doença genética rara associada ao défice cognitivo ligeiro a grave, que pode estar associado a distúrbios comportamentais e características físicas típicas. Síndrome é a causa hereditária mais comum de deficiência mental e é causada por uma alteração, ou mutação, de um único gene. A mutação ocorre no cromossoma sexual X, pelo que os rapazes, que têm apenas um cromossoma X, são mais suscetíveis de ser afetados do que as raparigas (Fonte APSXF).

X (CROMOSSOMA) – O cromossoma X é um dos cromossomas que determina o sexo humano. Homens e mulheres possuem dois cromossomas sexuais. As mulheres são portadoras de dois cromossomas X e os homens de um cromossoma X e de um cromossoma Y.

Y (CROMOSSOMA) – O cromossoma Y é o cromossoma sexual que se encontra apenas nos homens, ao contrário do cromossoma X que se encontra em homens e mulheres. Os indivíduos do sexo masculino têm como cromossomas sexuais o cromossoma X e o cromossoma Y, enquanto que os indivíduos do sexo feminino têm dois cromossoma X em cada célula.

ZIFT – Sigla para Transferência Intrafalopiana de Zigotos. Técnica de PMA que consiste na introdução nas trompas de falópio de zigotos.

ZIGOTO – Óvulo fertilizado, antes de começar a divisão celular (embrião).