Quando a Rainha Isabel II do Reino Unido se referiu a 1992 como um “annus horribilis”, estaria muito longe de imaginar que 2020 iria ultrapassar os parâmetros dessa definição. A monarca aludiu a essa definição partindo de um ponto de vista pessoal e familiar, algo que 2020 nos obrigou também a repensar. Nunca quisemos tanto estar com os nossos e nunca o valor da união foi tão importante. 

De um momento para o outro, 2020 mostrou-nos que o inesperado seria a palavra de ordem com o surgimento de uma pandemia com contornos verdadeiramente globais. Aquilo que poderíamos contar como certo deixou de o ser e os nossos velhos hábitos deixaram de ser possíveis. 

Vários setores foram afetados e a comunicação não foi exceção. Muitas marcas perceberam a importância de comunicar de forma estratégica e orientada para o público-alvo. Cada vez mais, tornamo-nos mais exigentes e alguns estudos referem, inclusive, que as marcas que estiveram envolvidas em ações de Responsabilidade Social de luta contra a Covid-19 acabaram por ser mais valorizadas. Foi também importante comunicar as adaptações das empresas a este novo contexto, com a saúde e a segurança dos seus colaboradores a estar sempre em primeiro lugar.

E, claro, a comunicação assumiu um papel fundamental na transmissão das novas regras em vigor e dos cuidados a ter para nos protegermos a nós e aos outros. Sem uma comunicação objetiva e eficaz, todo o processo de assimilação do novo “normal” teria sido ainda mais demorado e os riscos de transmissão do vírus seriam maiores. É também essencial assinalar o papel dos jornalistas, que mostraram resiliência e capacidade de adaptação, levando aos portugueses informação de qualidade.

Em 2020, percebemos, ainda, a importância que a cultura tem nas nossas vidas. Com a obrigação de estar em casa, foi, muitas vezes, através de músicas, livros, séries ou filmes que preenchemos as horas que se tornaram vazias. Além disso, a Cultura manteve-se viva, mesmo que de forma adaptada, apresentando momentos de espetáculo inesquecíveis, como concertos, peças de teatro, etc. Neste turbilhão de mudanças, a televisão voltou também a ganhar relevo, assumindo-se como um meio de eleição para muitos.

Depois deste “annus horribilis”, precisamos, mais do que nunca, de olhar para o futuro. Ainda vamos continuar com a pandemia, é certo, mas sabemos também que estaremos mais preparados para lidar com o que este cenário inesperado nos trouxe, enquanto esperamos ansiosamente pelo momento em que podemos voltar a viver as nossas vidas tal como as conhecíamos. Até lá, cuidemos sempre o melhor possível uns dos outros. Essa será sempre uma arma fundamental na luta contra qualquer vírus.

Tatiana Henriques, Communication Consultant

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